quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O que é um país

O mundo recebeu uma nova nação em 2011, o Sudão do Sul. A Palestina tentou ser o segundo país a emergir no mesmo ano, mas o Conselho de Segurança da ONU não aprovou a criação deste Estado, devido ao poder de veto exercido pelos Estados Unidos. Mas afinal, o que define o que é um país? O que define se um país é o não um país não é o povo que mora no território, já que alguns países são verdadeiros mosaicos de nações diferentes convivendo (pacificamente ou não) sob o comando de um Estado Soberano.

A resposta pode ser encontrada na definição dada na Convenção Internacional de Montevidéu de 1933. Segundo ela, o Estado é uma entidade com:
  • uma população permanente
  • território definido
  • governo
  • capacidade de entrar em relação com outros Estados
Este último ponto é o que causa a confusão. Essa capacidade depende não apenas de quem quer ser reconhecido, mas também daqueles que querem reconhecê-lo. Ou seja, a definição não é técnica, mas, sim, política. País, portanto, é aquilo que outros países aceitarem como um País.

A ONU é o palco onde os Estados buscam sua autonomia e soberania. Mas ela não é o governo central da Terra. Para entrar nesse “clube” é preciso que haja aprovação dos colegas, com dois terços dos votos da Assembleia Geral da ONU e a aprovação do Conselho de Segurança (CS), composto por seus membros fixos e com poder de veto: EUA, França, Reino Unido, Rússia e China.

Surgem daí os “países que não existem”. O exemplo mais clássico é o da República Popular da China contra a República Nacional da China. Em 1949, o nacionalista Chiang Kaishek perdeu para o comunista Mao Tsé-tung a Guerra Civil Chinesa. Com isso, o governo chinês deposto se refugiou na ilha de Taiwan, enquanto Mao ganhou Pequim. Só que desde a fundação da ONU o assento chinês era do governo refugiado em Taiwan. Então, embora a ilha tivesse apenas uma fração da população chinesa, permaneceu como a verdadeira China até 1971, quando a ONU concedeu a cadeira ao governo de Pequim. 
Em 1972, depois de receber a vistia do presidente americano Richard Nixon, a China passou a integrar o seleto grupo dos membros permanentes do Conselho de Segurança. Taiwan, com 23 milhões de habitantes, PIB per capita igual ao da Alemanha, não é oficialmente um país.

E quais são os direitos de um Estado de verdade? Antes de mais nada, o novo país garantiria o monopólio do uso da força legítima em seu território, e ninguém poderia interferir, sob pena de ficar malvisto pela comunidade internacional - o que pode trazer embargos comerciais, por exemplo, contra quem violar a soberania de um país reconhecido. 
Por enquanto, a única certeza é que a anarquia vai continuar sendo o sistema internacional de governo.

Adaptação do artigo de Maurício Horta, publicado na revista Superinteressante de Setembro de 2011
 



Rage Against The Machine - Killing In The Name




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Questão agrária no Brasil

A partir do descobrimento até a independência, o direito do uso da Terra em nosso país era controlado pela Coroa Portuguesa.
A distribuição de terras visava facilitar o controle e a ocupação do território. Neste sentido, surgem as plantations, grandes propriedades rurais que utilizavam mão de obra escrava e se praticava a monocultura voltada para a exportação.
As terras que foram cedidas pela coroa portuguesa e que não foram cultivadas, as terras devolutas, hoje chamadas de terras inexploradas, não tinham dono entre 1822 e 1850, pois não havia leis que regulamentassem o direito de uso desta terra.
O governo criou, em 1850, a lei de terras, com intuito de oferecer mão de obra aos fazendeiros produtores de café. A lei eliminou as possibilidades de aquisição de terras por parte dos imigrantes estrangeiros. Os escravos alforriados também não tinham condições de adquirir tais terras.
A lei de terras garantiu que as terras devolutas se tornassem propriedade do Estado, podendo ser negociadas apenas através de leilões. Com isso, somente os grandes latifundiários tinham condições de adquiri-las.
Desde então a terra deixou de ser utilizada somente para o cultivo, passando a ser moeda de troca, um patrimônio particular. Transformou-se em símbolo de poder acentuando as desigualdades agrárias em nosso país.
Há até hoje no Brasil a prática de escravidão por dívida, atingindo pessoas de baixa renda. Somente em 1988 a Constituição passou a prever a expropriação de terras e a realizar reforma agrária. Tal reforma caminha a passos lentos pela multidão de interesses e promoção de preconceitos sobre tal luta.

Engenheiros do Hawaii - Herdeiro da Pampa Pobre


Produção de grãos no Brasil

Produção de soja no Brasil: 75 milhões de toneladas 2010/2011.
Área plantada: cerca de 24 milhões de hectares (cada hectare mede 10 Km²).
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja.
O estado de Mato Grosso é o maior produtor brasileiro de soja: 20,4 milhões de toneladas.
O estado do Paraná é o segundo maior produtor brasileiro de soja: 15,4 milhões de toneladas.
Apesar da maior área de cultivo estar nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a soja vem encontrando novos espaços nas regiões Norte e Nordeste.
Fronteira agrícola: é o avanço da produção agrícola sobre o meio ambiente ligado com a necessidade de maior produção de alimentos, principalmente os voltados à exportação.
Nos últimos três anos as regiões Norte e Nordeste registraram um aumento de área para o cultivo da soja de 8,6%, o que representou cerca de 10% da produção nacional do grão.
O que mais atraiu investimentos para estas regiões são as terras baratas, as facilidades logísticas. Só no Tocantins a tecnologia agrícola irrigada possibilitou um aumento significativo da produção de soja e arroz, cerca de 10% nos últimos anos.
A média do Piauí é de 2,9 toneladas de soja por hectare. A média nacional é de 2,8 toneladas/hectare.
Outros importantes produtores de grãos da região Nordeste estão nas imediações do semiárido, entre o sul do estado do Maranhão e o Oeste do estado da Bahia.
O milho e a soja são as culturas de maior peso na produção: juntas chegam a 83% de toda a safra.
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho com produção anual superior a 50 milhões de toneladas.
O principal destino da safra são as indústrias de rações para animais.
As principais áreas de plantação do milho são estão no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul.
A produção anual de trigo do Brasil oscila entre 5 e 6 milhões de toneladas. Cerca de 90% da produção nacional está no Sul do Brasil.

Chitãozinho e Xororó - Terra Tombada


Dinâmica populacional brasileira

O Brasil ocupa hoje a quinta posição entre os países mais populosos do planeta.
O crescimento populacional pode ser explicado por duas variantes: migrações e o crescimento vegetativo.
O crescimento vegetativo é a relação entre as taxas de natalidade e mortalidade.
No Brasil o crescimento vegetativo é o principal responsável pelo aumento populacional, pois os fluxos migratórios ocorreram de maneira intensa até a década de 1950, época em que nossa população era de pouco mais de 50 milhões de habitantes.
Nas últimas décadas houve uma explosão demográfica no território brasileiro, com um aumento de 130 milhões de pessoas.
No período de 1991 até 2005 a população brasileira teve um aumento de cerca de 38 milhões de indivíduos.
Porém, acompanhando uma tendência mundial o crescimento demográfico brasileiro vem sofrendo redução nos últimos anos. A população continuará crescendo, porém num ritmo muito pequeno em comparação com a segunda metade do século XX.
Fatores que explicam tal queda: urbanização, queda da taxa de fecundidade, métodos contraceptivos e a melhora nas condições de saneamento básico explicam o aumento da longevidade no país.

Rita Lee - Obrigado Não