domingo, 10 de fevereiro de 2013

Faltam dois anos para o futuro


Eu assisti De Volta Para o Futuro II no último dia 2 de fevereiro. Foi uma experiência muito interessante. A saga de Marty McFly e do Dr. Emmet Brown é de encher os olhos. Lembro que vi este filme pela primeira vez no início da década de 1990. A parte inicial do filme retrata o distante ano de 2015. Neste tempo os carros voam, os skates são voadores, o filme Tubarão está na sua vigésima terceira parte, os homens utilizam duas gravatas, e os telefonemas são feitos viva-voz vendo o rosto de quem está ligando. E a pizza hidratada? Fantástico.
Faltam dois anos para o futuro sonhado por Spielberg em 1989. Porém, o filme não deixará nunca de ser clássico. Um nó no cérebro dos que pensam que complicado é Senhor do Anéis. Bobagem. A tosquice da trilogia de De Volta Para o Futuro é simplesmente um marco da nossa geração. Na mesma noite, no canal TBS Muito Divertido (o canal nem é tão divertido assim), foi exibida terceira parte da aventura. Um sábado delicioso. Deu até vontade de correr na locadora e locar os três para ver em sequência, tal como fiz outras vezes com a trilogia clássica de George Lucas – Guerra nas Estrelas (sim, é Guerra nas Estrelas, eu acho um sacrilégio chamar este clássico de Episódio IV – Uma Nova Esperança), O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi.
Obrigado Hollywood por ser esta fábrica de fantasias. Se tem uma coisa que os americanos fazem bem é cinema (a outra é a Coca-Cola, o delicioso líquido preto símbolo do capitalismo e do imperialismo). E pouco importa se fazem auto-promoção. Esta história de ser anti-americano é meio clichê de esquerdalóide. Que McFly e Brown consigam chegar até a nossa geração fã de vampirinhos e bruxinhos.
Um aviso: o vídeo abaixo não é recomendado para menores de 30 anos!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A impessoalidade da guerra


Por Eric Hobsbawm

No século XX é inegável que surge uma nova impessoalidade da guerra, que tornava o matar e estropiar uma consequência remota de apertar um botão ou virar uma alavanca. A tecnologia tornava suas vítimas invisíveis, como não podiam fazer as pessoas evisceradas por baionetas ou vistas pelas miras de armas de fogo. Diante dos canhões permanentemente fixos estavam não homens, mas estatísticas – nem mesmo estatísticas reais, mas estimativas hipotéticas.
Rapazes delicados que certamente não iriam enfiar uma baioneta na barriga de uma jovem aldeã grávida podiam com mais facilidade jogar altos explosivos sobre populações civis.
As maiores crueldades de nosso século foram as crueldades impessoais decididas a distância, de sistema e rotina, sobretudo quando podiam ser justificadas como lamentáveis necessidades operacionais.
Assim o mundo acostumou-se à expulsão e matança compulsórias em escala astronômica, fenômenos tão conhecidos que foi preciso inventar novas palavras para eles: apátrida, genocídio.

Trecho adaptado de “A era dos Extremos – O breve Século XX” - pág. 57

Alice In Chains - Rooster

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Caracterização da paisagem geográfica segundo o vocalista do Aerosmith


Por Steven Tyler

Em Manhattan, vivíamos na rua 124 com a Broadway, perto do Teatro Apollo. Harlem, cara. Se os três primeiros anos de sua vida são os mais informativos, então é certo que eu precisava ouvir aquela música e me inspirar no barulho vindo do teatro. Aquilo tinha mais alma que a igreja de São Pedro.
Alguns anos atrás voltei ao Apollo e vi o parque onde minha mãe me levava de carrinho. Minha primeira memória visual é aquele parque: árvores e nuvens por cima da minha cabeça, com se eu estivesse flutuando por cima da Terra. Ali estou eu, uma projeção astral de dois anos.
Com quatro, lembro de levar uma garrafa de quatro litros de leite, caminhar de mãos dadas com minha mãe por passagens e corredores do porão de nosso edifício e pelos túneis dos edifícios vizinhos onde estava a máquina de leite. Eu pensava estar... sabe deus onde. Eu poderia estar em marte. Ah, era o misterioso mundo da infância, onde você é sempre levado pela mão de alguém através de alguma passagem escura em direção a um mundo novo à espera de ser explorado pela imaginação super ativa da criança.

Trecho adaptado da biografia de Steven Tyler “O barulho na minha cabeça te incomoda? – Uma memória feita de Rock´ n´ Roll” – 2011 – Benvirá – SP


Os doze mandamentos



Por Sidney Sheldon

Vamos falar sobre os milagres. A bíblia está cheia de milagres, e alguns foram maravilhosos. As histórias passam de geração em geração, por dois mil anos. Se são verdadeiras ou não, é uma coisa que você mesmo pode decidir. Mas não pode deixar de admitir que são emocionantes.
Vocês já ouviram falar dos dez mandamentos? A história conta que Moisés desceu da montanha com duas tábuas de pedra dadas por Deus, e nelas estavam escritos dos dez mandamentos.
Vou lhes revelar um segredo. Essa história da bíblia não é toda verdadeira. As pessoas em geral ignoram, mas o fato é que havia doze mandamentos. O que aconteceu foi que Moisés carregava três tábuas de pedra. Mas tropeçou e deixou cair uma, que se espatifou, por isso só restaram dez. Ele se sentiu embaraçado demais para contar aos outros.
Os dois mandamentos extras são: Nunca dirás uma inverdade; Não farás mal a teu semelhante. Os outros dez são bem conhecidos. Moisés disse a seu ovo que quem violasse aquelas regras seria seriamente punido.
Esse é o lado de Moisés. Mas vou contar algumas histórias sobre pessoas que violaram os mandamentos de Deus. E o que a aconteceu com elas? Tornaram-se ricas, famosas e felizes.

Adaptação do capítulo 1 do livro “Os doze mandamentos” de Sidney Sheldon


domingo, 13 de janeiro de 2013

Lugar - Mais que um conceito geográfico


Entre os conceitos básicos da Geografia (paisagem, espaço, território, etc.) o mais complicado de explicar, sem dúvida, é o lugar. Está escrito assim lá na Wikipédia: “A ideia de lugar é muito abrangente, pois faz parte tanto do senso comum quanto do conhecimento científico. Na geografia, o termo lugar já foi empregado de muitas formas, pois cada corrente de pensamento geográfico o define de um modo distinto".
O lugar é totalmente pessoal e abstrato. Cada um atribui um significado diferente a um determinado lugar. Toda vez que vou à Campo Mourão – PR eu preciso passar pela rua onde morei. A casa em que vivi não existe mais. Nem mesmo o imponente pé de Santa Bárbara está lá. Mas passar por ali é como um ritual.
Já passei por inúmeras vezes na rua onde minha esposa cresceu em São Pedro do Ivaí – PR. Também é um ritual, um culto ao passado. A paisagem mudou, as pessoas mudaram, mas o lugar é o mesmo. É diferente de ver uma fotografia ou assistir um vídeo de família. Estar fisicamente no lugar é que dá significado ao conceito.
Quando vou explicar este conceito aos alunos do sexto ano do ensino fundamental faço com eles este exercício. Eles ainda são jovens, mas descrevem lugares que para eles são especiais, os quais para outras pessoas não têm significado algum.
Este é um dos motivos que torna a Geografia tão apaixonante. As pessoas pintam quadros de paisagens que já não existem. Mas o lugar, este sempre existe, eternizado em telas, fotografias e músicas.

Momento raro dos Titãs - Música: Fazendinha

domingo, 23 de dezembro de 2012

A destruição do passado


Em tempos onde tudo parece que faz parte do presente, acho oportuno relembrar um dos maiores pensadores do nosso tempo. Infelizmente, uma certa revistinha semanal ligada com corruptos e com golpes, publicou uma crítica ácida contra este historiador. Mas eles também criticaram severamente o grande Oscar Niemayer. Fico muito preocupado quando as pessoas esquecem do passado recente, em nome do espetáculo midiático que tenta a todo custo recuperar seu posto de poder. Leia o que disse o grande Eric Hobsbawn:
“(...) Em 28 de Junho de 1992 o presidente Mitterrand da França, apareceu de forma súbita, não anunciada e inesperada em Sarajevo, que já era o centro de uma guerra balcânica que iria custar cerca de 150 mil vidas no decorrer daquele ano. Por que o presidente francês escolheu esta data? Porque esta era a data do aniversário do assassinato do herdeiro do império Austro-Húngaro, nesta mesma cidade em 1914. Mas quase ninguém captou a alusão. A memória histórica já não estava viva.
A destruição do passado, dos mecanismos sociais que vinculam nossas experiências com as das gerações passadas, é um dos fenômenos mais característicos dos tempos atuais. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem.
Em 1989 todos os governos do mundo ter-se-iam beneficiado de um seminário sobre os acordos de paz firmados após duas guerras mundiais, que a maioria deles aparentemente havia esquecido.(...)”
Eric Hobsbawn – Era dos Extremos, p. 12-3 - Adaptado
Engenheiros do Hawaii - Toda forma de poder

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

As estruturas e as formas de relevo


Montanhas, planaltos, planícies e depressões. Estes são os quatro principais tipos de relevo que moldam a face do nosso planeta. O interessante é que o relevo nem sempre teve a mesma configuração atual, pois é resultado de variações ocorridas na superfície terrestre ao longo de milhões de anos. Tais variações são produzidas por dois tipos de forças, as externas (exógenas) causadas pelo intemperismo – degradação de rochas – químico e/ou físico, e as internas (endógenas) causadas pelo vulcanismo e pelo tectonismo.
As planícies se estendem por todo o planeta, terras baixas próximas aos grandes rios, como acontece com a gigantesca planície da Amazônia. Os planaltos são elevações onde predominam os processos de erosão, enquanto nas planícies predomina o processo de acumulação de sedimentos. Portanto, não é a altitude que define exatamente o que é um planalto ou uma planície.
As montanhas são chamadas de dobramentos modernos. São causadas pelo choque das placas tectônicas. São relativamente jovens na história geológica do planeta, com pouco mais de sessenta milhões de anos. No Brasil, geológica e tecnicamente falando não existem montanhas. As depressões são superfícies localizadas em altitude inferior à das regiões próximas, o que caracteriza uma depressão relativa. Quando uma depressão está abaixo do nível médio do mar, ela é absoluta, como ocorre no Mar Morto no Oriente Médio, mais de quatrocentos metros abaixo do nível do mar.
Não se deve confundir as formas de relevo – montanhas, planaltos, planícies e depressões – com as estruturas de relevo. Estas são basicamente: escudos cristalinos (os terrenos mais antigos da crosta terrestre constituídos de rochas magmáticas), as bacias sedimentares (estruturas formadas entre duzentos e seiscentos milhões de anos por rochas sedimentares) e os dobramentos terciários (formações mais recentes do nosso planeta, como os Andes, os Alpes e o Himalaia).

Mais sobre Geografia física:
http://geopesca.blogspot.com.br/2012/10/o-que-e-frente-fria.html

"ela falava coisas sobre o PLANALTO central...."
Eduardo e Mônica - Legião Urbana