domingo, 27 de março de 2016

Síria retoma Palmira

Regime sírio retoma Palmira e impõe grande derrota ao Estado Islâmico



O texto original foi publicado no site do Jornal Zero Hora:

O exército sírio, apoiado pela Rússia, infligiu uma derrota esmagadora neste domingo ao grupo Estado Islâmico (EI), ao recuperar o controle da cidade de Palmira, e prometeu expulsar a organização extremista de seus principais redutos na Síria. Esta é a vitória mais importante do regime sírio contra o EI desde a intervenção militar, no final de setembro de 2015, no conflito sírio da Rússia, aliada incondicional do presidente Bashar al-Assad.
Após a reconquista de Palmira, restará apenas a cidade de Al-Alianiyé, localizada 60 km ao sul, para as forças pró-regime recuperarem o controle do deserto sírio e poder avançar em direção à fronteira com o Iraque, em grande parte controlada pelos jihadistas. Discursando para um grupo de deputados franceses em visita a Damasco, Assad chamou de "importante façanha a libertação de Palmira". Trata-se de "uma nova prova da eficácia da estratégia do exército e de seus aliados na guerra contra o terrorismo, em comparação com a falta de seriedade da coalizão liderada pelos Estados Unidos" contra o EI, alfinetou.
O presidente russo, Vladimir Putin, parabenizou por telefone Assad, que agradeceu a ajuda da Rússia, segundo um porta-voz do Kremlin. "O exército cumpriu sua missão em Palmira, onde restaurou a segurança", indicou o comando militar em um comunicado anunciando a retomada da cidade histórica de mais de 2.000 anos, localizada no centro da Síria. Os 20 dias de combates custaram a vida de 400 jihadistas, "o maior número de mortos para o EI em uma única batalha desde o seu surgimento" no conflito sírio em 2013, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH). Do lado oposto, 188 combatentes pró-regime pereceram.
A televisão estatal síria exibiu imagens de destruição dentro do museu de Palmira, teatro de uma terrível batalha, com cabeças de estátuas no chão, coberto de detritos, e uma grande cratera no teto. Segundo uma fonte militar, as unidades especiais do exército começaram a desarmar as bombas e minas deixadas pelos extremistas na cidade antiga. Em Amã, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, expressou sua satisfação com a libertação de Palmira e exortou "o mundo inteiro a proteger e preservar este patrimônio da humanidade".
O chefe sírio de Antiguidades, Mamoun Abdelkarim, disse à AFP que "a paisagem geral está em bom estado" e que Palmira "voltará a ser como antes". Apoiados pela aviação e as forças especiais russas, bem como pelo Hezbollah libanês e milícias, os soldados sírios lançaram em 7 de março a ofensiva para recuperar Palmira, que caiu nas mãos do EI em maio de 2015. Na cidade, os extremistas destruíram parte das suas ruínas históricas, classificadas como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.
Após esta importante vitória, o comando sírio afirmou que "Palmira será a base a partir da qual irá expandir as operações militares contra o grupo terrorista em várias frentes, incluindo Deir Ezzor (leste) e Raqa (norte)", os dois principais redutos do EI na Síria. O objetivo é "apertar o cerco aos terroristas, para cortar suas linhas de abastecimento e retomar os territórios sob seu controle, acabando, por fim, com sua existência" na Síria, garantiu. Uma fonte militar indicou à AFP que os jihadistas "recuaram" de Palmira para Sokhné, mais a leste, assim como para Raqa e Deir Ezzor.
"Os jihadistas receberam a ordem de se retirar de Palmira por seu comando em Raqa (norte)", capital do auto-proclamado "califado" do EI na Síria, informou à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH. Mas ainda resta "um punhado de jihadistas que querem continuar a luta". Neste sentido, os combates prosseguem na área próxima ao aeroporto militar, no sudeste da cidade, segundo o OSDH, enquanto a quase totalidade dos habitantes fugiram da cidade antes da entrada do exército em Palmira.
Responsável por inúmeras atrocidades nas regiões sob seu controle e vasta destruição do patrimônio do país, o EI privou Palmira de seus mais belos templos, o de Bêl e Baalshamin, destruídos com explosivos. Também reduziu a pó torres funerárias e o célebre Arco do Triunfo. A perda de Palmira é a segunda grande derrota do EI na Síria após a registrada em janeiro de 2015 em Kobani (norte), de onde os jihadistas foram expulsos pelas forças curdas apoiadas pela coalizão internacional liderada por Washington. Do outro lado da fronteira, no vizinho Iraque, o EI também é alvo de uma grande ofensiva do exército, que busca retomar o controle de sua fortaleza de Mossul, a segunda maior cidade do país, localizada no norte, com o apoio da aviação da coalizão internacional e de milícias locais.
As grandes potências estão determinadas a acabar com o EI, um grupo ultrarradical que reivindicou na terça-feira passada os atentados em Bruxelas (31 mortos e 340 feridos), quatro meses após cometer os piores ataques em território francês, em Paris (130 mortes). Palmira era uma das principais batalhas em curso na Síria, onde uma trégua entrou em vigor há um mês entre os rebeldes e o regime, o que lhe permitiu concentrar seus esforços na luta contra os jihadistas que estão excluídos desta trégua. Aproveitando a pausa nas hostilidades, uma primeira rodada de negociações indiretas foi realizada em Genebra entre o regime e a oposição, sob a égide das Nações Unidas. O objetivo é encontrar uma solução para um conflito que, em cinco anos, fez mais de 270.000 mortos e que provocou uma profunda crise migratória com a fuga de milhões de sírios. A ONU espera uma segunda rodada de discussões nos dias 9 e 10 de abril.

* AFP



Esquerda ou Direita?


Este texto está no portal UOL

http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/politica-o-que-e-ser-esquerda-direita-liberal-e-conservador.htm

Política: O que é ser esquerda, direita, liberal e conservador?

por Andréia Martins a Novelo Comunicação



Nas eleições presidenciais e estaduais de 2014, o Brasil assistiu a uma onda de discursos agressivos, especialmente nas redes sociais, que se dividiam em dois lados: os de esquerda e os de direita, associadas pela maioria aos partidos PT e PSDB, respectivamente. 
Definir um posicionamento político apenas pelo viés partidário pode ser uma armadilha repleta de estereótipos, já que essa divisão binária não reflete a complexidade e contradições da sociedade. O fato é que não existe um consenso quanto a uma definição comum e única de esquerda e direita. Existem “várias esquerdas e direitas”. Isso porque esses conceitos são associados a uma ampla gama de pensamentos políticos. 

Origem dos termos

As ideologias “esquerda” e “direita” foram criadas durante as assembleias francesas do século 18. Nessa época, a burguesia procurava, com o apoio da população mais pobre, diminuir os poderes da nobreza e do clero. Era a primeira fase da Revolução Francesa (1789-1799). 
Com a Assembleia Nacional Constituinte montada para criar a nova Constituição, as camadas mais ricas não gostaram da participação das mais pobres, e preferiram não se misturar, sentando separadas, do lado direito. Por isso, o lado esquerdo foi associado à luta pelos direitos dos trabalhadores, e o direito ao conservadorismo e à elite. 
Dentro dessa visão, ser de esquerda presumiria lutar pelos direitos dos trabalhadores e da população mais pobre, a promoção do bem estar coletivo e da participação popular dos movimentos sociais e minorias. Já a direita representaria uma visão mais conservadora, ligada a um comportamento tradicional, que busca manter o poder da elite e promover o bem estar individual. 
Com o tempo, as duas expressões passaram a ser usadas em outros contextos. Hoje, por exemplo, os partidários que se colocam contra as ações do regime vigente (oposição) seriam entendidos como “de esquerda” e os defensores do governo em vigência (situação) seriam a ala “de direita”. 
Para o filósofo político Noberto Bobbio , embora os dois lados realizem reformas, uma diferença seria que a esquerda busca promover a justiça social enquanto a direita trabalha pela liberdade individual. 
Após a queda do Muro de Berlim (1989), que pôs fim à polarização EUA x URSS, um novo cenário político se abriu. Por isso, hoje, as palavras ‘esquerda’ e ‘direita’ parecem não dar conta da diversidade política do século 21. Isso não quer dizer que a divisão não faça sentido, apenas que ‘esquerda’ e ‘direita’ não são palavras que designam conteúdos fixados de uma vez para sempre. Podem designar diversos conteúdos conforme os tempos e situações.
"Esquerda e direita indicam programas contrapostos com relação a diversos problemas cuja solução pertence habitualmente à ação política, contrastes não só de ideias, mas também de interesses e de valorações a respeito da direção a ser seguida pela sociedade, contrastes que existem em toda a sociedade e que não vejo como possam simplesmente desaparecer. Pode-se naturalmente replicar que os contrastes existem, mas não são mais do tempo em que nasceu a distinção", escreve Bobbio no livro "Direita e Esquerda - Razões e Significados de uma Distinção Política".
No Brasil, essa divisão se fortaleceu no período da Ditadura Militar, onde quem apoiou o golpe dos militares era considerado da direita, e quem defendia o regime socialista, de esquerda. 
Com o tempo, outras divisões apareceram dentro de cada uma dessas ideologias. Hoje, os partidos de direita abrangem conservadores, democratas-cristãos, liberais e nacionalistas, e ainda o nazismo e fascismo na chamada extrema direita. 
Na esquerda, temos os social-democratas, progressistas, socialistas democráticos e ambientalistas. Na extrema-esquerda temos movimentos simultaneamente igualitários e autoritários.
Há ainda posição de "centro". Esse pensamento consegue defender o capitalismo sem deixar de se preocupar com o lado social. Em teoria, a política de centro prega mais tolerância e equilíbrio na sociedade. No entanto, ela pode estar mais alinhada com a política de esquerda ou de direita. A origem desse termo vem da Roma Antiga, que o descreve na frase: "In mediun itos" (a virtude está no meio).
A política de centro também pode ser chamada de "terceira via", que idealmente se apresenta não como uma forma de compromisso entre esquerda e direita, mas como uma superação simultânea de uma e de outra.
Essas classificações estariam divididas no que podemos chamar de uma “régua” ideológica:
EXTREMA-ESQUERDA | ESQUERDA | CENTRO-ESQUERDA | CENTRO | CENTRO-DIREITA | DIREITA | EXTREMA-DIREITA
Para os brasileiros a diferença entre as ideologias não parece tão clara. Em 2014, durante as eleições, a agência Hello Research fez um levantamento em 70 cidades das cinco regiões do Brasil perguntando como os brasileiros se identificavam ideologicamente. Dos 1000 entrevistados, 41% não souberam dizer se eram ideologicamente de direita, esquerda ou centro.
A porcentagem dos que se declaram de direita e esquerda foi a mesma: 9%. Em seguida vem centro-direita (4%), centro-esquerda e extrema-esquerda, ambas com 3%, e extrema-direita (2%). Quando a pergunta foi sobre a tendência ideológica de sete partidos (DEM, PT, PSDB, PSB, PMDB, PV, PDT, Psol, PSTU), mais de 50% não souberam responder.
Em determinados momentos da história, ambas as ideologias assumiram posturas radicais e, nessa posição, tiveram efeitos e atitudes muito parecidas, como a interferência direta do Estado na vida da população, uso de violência e censura para contra opositores e a manutenção de um mesmo governo ou liderança no poder. 
Ao longo do século 20, parte do pensamento de esquerda foi associada a bases ideológicas como marxismo, socialismo, anarquismo, desenvolvimentismo e nacionalismo anti-imperialista (que se opõe ao imperialismo). 
O mesmo período viu florescer Estados de ideologias totalitárias como o nazismo (1933-1945), fascismo (1922-1943), franquismo (1939-1975) e salazarismo (1926-1974), que muitas vezes se apropriaram de discursos da esquerda e da direita. 
Outro tema fundamental para as duas correntes é a visão sobre a economia. Os de esquerda pregam uma economia mais justa e solidária, com maior distribuição de renda. Os de direita seriam associados ao liberalismo, doutrina que na economia pode indicar os que procuram manter a livre iniciativa de mercado e os direitos à propriedade particular. Algumas interpretações defendem a total não intervenção do governo na economia, a redução de impostos sobre empresas, a extinção da regulamentação governamental, entre outros. 
Mas isso não significa que um governo de direita não possa ter uma influência forte no Estado, como aconteceu na Ditadura. Em regimes não-democráticos, a direita é associada a um controle total do Estado. 
O termo neoliberalismo surgiu a partir dos anos 1980, associados aos governos de Ronald Reagan e Margareth Thatcher, que devido à crise econômica do petróleo, privatizaram muitas empresas públicas e cortaram gastos sociais para atingir um equilíbrio fiscal. Era o fim do chamado Estado de Bem-Estar Social e o começo do Estado Mínimo, com gastos enxutos. 
Para a esquerda, o neoliberalismo é associado à direita e teria como consequências a privatização de bens comuns e espaços públicos, a flexibilização de direitos conquistados e a desregulação e liberalização em nome do livre mercado, o que poderia gerar mais desigualdades sociais. 
O liberalismo não significa necessariamente conservadorismo moral. Na raiz, o adjetivo liberal é associado à pessoa que tem ideias e uma atitude aberta ou tolerante, que pode incluir a defensa de liberdades civis e direitos humanos. Já o conservador seria aquele com um pensamento tradicional. Na política, o conservadorismo busca manter o sistema político existente, que seria oposto ao progressismo. 
Direita e esquerda também têm a ver com questões morais. Avanços na legislação em direitos civis e temas como aborto, casamento gay e legalização das drogas são vistas como bandeiras da esquerda, com a direita assumindo a defesa da família tradicional. Nos Estados Unidos, muitos eleitores se identificam com a chamada direita cristã, que defendem a interferência da religião no Estado.
No entanto, vale destacar que hoje muitos membros de partidos tidos como centro-direita defendem tais bandeiras da esquerda, exceto nos partidos de extrema-direita (como podemos observar na Europa), que são associados ao patriotismo, com discurso forte contra a imigração (xenofobia). 
Andréia Martins

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Coreia do Norte


Coreia do Norte comunica lançamento de satélite

Fonte: EFE

As autoridades da Coreia do Norte comunicaram à UIT (União Internacional de Telecomunicações) o futuro envio de um satélite de observação aérea, em meio a suspeitas de que na realidade prepara o lançamento de um míssil de longo alcance, informou nesta terça-feira (2) a instituição. "Recebemos uma carta da missão diplomática da Coreia do Norte (perante a ONU e seus organismos especializados em Genebra) dizendo que planeja lançar um satélite de observação área, os que são utilizados no estudo da Terra", confirmou à Agência Efe o porta-voz da UIT, Sanjay Acharya. A Coreia do Norte não comunicou à UIT - organismo das Nações Unidas dedicado à gestão dos espectros de rádio e das órbitas para satélites, entre outras funções - a data na qual pensa em pôr em órbita o satélite nem quando estará operacional.
Entre os poucos dados fornecidos foi informado que o aparelho estará em funcionamento por um período de quatro anos. "Não recebemos nenhuma informação técnica sobre o satélite, portanto pediremos mais informação", antecipou Acharya. O porta-voz ressaltou que a UIT necessita de dados técnicos que lhe permita inscrever o satélite em seu registro internacional de frequências. Perguntado sobre se é possível fazer o lançamento de um míssil passar pelo de um satélite, o porta-voz se limitou a assinalar que "falta muita informação" e "é difícil dizer algo a respeito". Pyongyang também comunicou à Organização Marítima Internacional (OMI), com sede em Londres, sobre o lançamento de um "satélite" entre os dias 8 e 25 de fevereiro, declarou à Efe o porta-voz desta instituição, Lee Adamson. Adamson indicou que a notificação não dá detalhes do tipo de operação, embora o fato de que a OMI tenha sido comunicada implica que "pode haver risco para a navegação". 
A OMI, a agência da ONU que vela pela segurança marítima, prevê emitir um comunicado nas próximas horas para advertir dos riscos às embarcações, segundo o porta-voz. Adamson explicou ainda que esta é a primeira notificação recebida este ano da Coreia do Norte, que em 6 de janeiro garantiu que tinha testado uma bomba de hidrogênio, em seu quarto teste nuclear. Durante os últimos dias se observou através de imagens de satélite uma intensificação da atividade nas instalações de lançamento de Dongchang-ri, ao nordeste da península coreana, razão pela qual acredita-se que o regime prepara um novo teste de míssil balístico de longo alcance. O último lançamento deste tipo aconteceu em 2012, quando o regime conseguiu pôr em órbita um satélite com seu foguete de longo alcance Unha-3, ação que a comunidade internacional considerou parte de seu programa de desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais e que deu lugar a novas sanções da ONU. 
Neste momento o Conselho de Segurança das Nações Unidas estuda impor sanções adicionais a Coreia do Norte como resposta ao quarto teste atômico do regime de Kim Jong-un.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Estado Islâmico


Sete coisas que você precisa entender sobre o Estado Islâmico


POR Redação Super ATUALIZADO EM 08/10/2014
Texto retirado do site da Revista Superinteressante

Desde que os Estados Unidos invadiram o Iraque, em 2003, os conflitos no Oriente Médio têm aparecido na mídia com mais frequência. Por anos, o ocidente ouviu todo tipo de relato, principalmente os mais atrozes, como invasões, terrorismo e morte de civis. Em 2014, a avalanche de notícias ruins chegou ao seu auge quando vídeos que mostram a violência explícita de um grupo radical muçulmano foram divulgados na internet.

Para entender a situação no Oriente Médio, é importante conhecer melhor o Estado Islâmico. É aqui que a gente entra. Confira sete informações básicas sobre o tema a seguir:

1. Sunitas e Xiitas
A história é antiga, do início do século VII. Quando morreu o profeta Maomé, fundador do islamismo e responsável pelo Alcorão, começou uma disputa política para ver quem ocuparia a posição de principal líder da cultura islã. Quem reivindicava o cargo era Ali, genro de Maomé. Mas o povo o achava jovem e inexperiente demais para o cargo. Quem acabou escolhido pela maioria dos muçulmanos foi Abu Bakr, que era amigo do profeta.
A discordância foi a origem de uma divisão na população islâmica. Mas, por um tempo, ficou tudo bem. Depois de Abu, outros dois líderes foram aclamados como chefes supremos e governaram em paz. Mas, em 656, o califa Uhtman foi assassinado por um grupo rebelde, o que abriu espaço para que Ali finalmente se tornasse o novo governante. Nesse ponto, a tensão entre os dois grupos já era enorme e o califa acabou morto cinco anos depois, por um opositor.
Além dessa desavença política, questões religiosas também separam os grupos. Aqueles que seguem rigidamente as antigas interpretações do Alcorão e da lei islâmica, a Sharia, são os xiitas. Eles defendem, por exemplo, que os califas só podem vir da árvore genealógica de Maomé. Apesar de serem minoria em outros lugares, são parte significativa do Iraque e do Irã, por exemplo.
Já os sunitas, que correspondem a cerca de 90% da comunidade islâmica do mundo, divergem dos xiitas com relação ao tipo de sucessão do profeta e adotam uma fonte de conhecimento diferente: o livro de Suna. Nele são contados os grandes feitos de Maomé e, por essa natureza, os sunitas tendem a ser mais abertos às transformações. O Estado Islâmico veio do povo sunita, apesar de carregar consigo uma aura de violência que não é característica dele.

2. As guerras no Iraque
Tudo começou quando os Estados Unidos invadiram o Iraque, em 2003, sob o pretexto de combater o terrorismo. A ocupação não foi nem um pouco pacífica e o país norte-americano enfrentou uma grande resistência de diversos grupos militares iraquianos. Destes, um dos que mais se destacou foi o Jama’at al-Tawhid wal-Jihaduma, que existia desde 1999 e era liderado pelo jordaniano Abu Musab al-Zarqawi. Ele foi o responsável por comandar diversos ataques às forças de coalizão e promover as ações suicidas contra civis iraquianos. Demorou apenas um ano para que ele firmasse aliança com Osama Bin Laden, mudando o nome do grupo para Tanzim Qaidat al-Jihad fi Bilad al-Rafidayn, ou, como é mais conhecido, Al Qaeda no Iraque.
Nos dois anos seguintes, o grupo se fundiu com outros menores e buscou evitar os erros cometidos pela facção principal da Al Qaeda. Isso foi em 2006, pouco antes do líder al-Zarqawi ser morto por um ataque aéreo promovido pelos Estados Unidos, em junho. Esse fato trouxe Abu Omar al-Baghdadi para o poder e, em outubro do mesmo ano, o grupo passou a se autointitular Estado Islâmico do Iraque (EII), cujo principal objetivo era estabelecer um estado islâmico nas áreas majoritariamente sunitas do país.
No fim da década de 2000, a imagem do EII foi severamente abalada por conta da violência gratuita contra a população iraquiana, que deixou de apoiá-lo massivamente. A reorganização começou a ser feita em 2010, quando os líderes Abu Omar al-Baghdadi e Abu Ayyub al-Masri foram assassinados por ações dos Estados Unidos, dando espaço ao atual líder: Abu Bakr al-Baghdadi.
Após a saída das tropas dos Estados Unidos do Iraque, no final de 2011, quem ficou responsável pela reestruturação do país foi um grupo xiita. Apesar da elaboração de uma nova constituição e da transformação do Iraque em uma república parlamentarista, os ataques na região continuaram. Comandados por diversos grupos contrários ao governo pró-ocidente, entre eles o Estado Islâmico do Iraque, os bombardeios voltaram a ser rotina. Desde então, o EII seguiu avançando territorialmente no norte do país, sob os olhares atentos dos Estados Unidos, que só observavam tudo de longe.

3. O líder Abu Bakr al-Baghdadi
Apesar de Abu Bakr al-Baghdadi comandar o EI desde 2010, há poucas informações disponíveis sobre sua vida. Boa parte do que se sabe veio de blogs jihadistas. Em 2013, eles publicaram informações sobre o doutorado que o califa possui em estudos islâmicos, pela Universidade Islâmica de Bagdá.
Nascido em 1971, próximo à cidade de Samarra, ao norte de Bagdá, al-Baghdadi teria formado grupos militares nas províncias de Salaheddin e Diyala antes de entrar para a Al-Qaeda. Em 2006, foi preso em Camp Bucca, prisão estadunidense ao sudoeste do Iraque, de onde foi liberado em 2009.
Pouco se sabe sobre sua personalidade, mas desde que o Estado Islâmico foi criado, ele prefere ser chamado de al-Khalifah Ibrahim. Em outubro de 2011, o Departamento de Estado dos Estados Unidos declarou que al-Baghadadi era um terrorista global e ofereceu um prêmio de 10 milhões de dólares para quem tiver informações que levem à sua prisão ou morte.

4. Guerra Civil Síria
Quando a Primavera Árabe floresceu no Oriente Médio, a Síria também teve sua parcela de revoltas internas. O país, governado pelo partido Baath desde 1963 e pelo presidente Bashar al-Assad desde 2000, enfrentava sérias restrições econômicas, índices de desemprego na casa dos 25% e a degradação constante dos direitos humanos. Então, entre janeiro e março de 2011, os grandes protestos da população contra o governo começaram.
O presidente al-Assad não considerou as manifestações legítimas, declarando que elas eram feitas por terroristas, e as reprimiu com intensidade. Segundo o Observatório de Direitos Humanos, cerca de 73 mil pessoas foram mortas no conflito só em 2013, sendo que 22 mil delas eram civis. E o que era apenas um conflito político, tornou-se também um conflito religioso por conta das divergências existentes entre os diversos grupos que vivem no país.
O Estado Islâmico entra nessa história porque, desde que al-Baghdadi tomou o controle do grupo, em 2010, eles cruzaram a fronteira síria. Com os confrontos contra o poder local, o EI enviou diversos militares para combatar al-Assad e garantir a formação da Jabhat al-Nusra, o braço deles na Síria. Esse grupo foi o responsável por vários ataques a cidades sírias, especialmente no norte do país. Em 2013, a Jabhat al-Nusra se uniu com o Estado Islâmico do Iraque, formando o chamado Estado Islâmico do Iraque e Síria (EIIS ou ISIS, em inglês).

5. O califado
No dia 29 de junho de 2014, o EIIS anunciou a criação de um califado nas terras dominadas por ele no Iraque e Síria. Com isso, o califa al-Baghdadi se autodeclarou como autoridade para os cerca de 1,5 bilhão de muçulmanos existentes no mundo. Nesse mesmo período, devido a conflitos internos com o líder do braço sírio, o EIIS se separou e passou a ser chamado apenas de Estado Islâmico (EI).
O califado nada mais é do que uma forma de governo em que o governante é considerado o sucessor do profeta Maomé, seja geneticamente (como pregam os xiitas) ou escolhido pelo povo (a ideia dos sunitas), e que reúna em si toda a fé islâmica sem limites geográficos. Tipo um governo universal mesmo. Os autores divergem quanto à última vez em que um califado tenha funcionado. Alguns dizem que foi durante os quatro primeiros governos da sociedade islâmica e que durou apenas 30 anos, ainda no século VII. Outros relatam diversas outras tentativas ao longo da história, inclusive o califado Ahmadiyya, que seria uma organização global que estaria em funcionamento desde 1908.
Os califados também possuem um caráter expansionista e não reconhecem fronteiras políticas. O Estado Islâmico, por exemplo, vem realizando ataques sucessivos a diversas cidades sírias e iraquianas, aumentando sua extensão territorial. Desde o início de 2014, por exemplo, cidades como Mosul, Tikrit e Deir Ezzor foram tomadas. De acordo com o serviço de inteligência dos Estados Unidos, estima-se que o EI seja composto por mais de 31,5 mil pessoas, sendo 15 mil estrangeiros de 80 países, muitos deles veteranos de guerras anteriores, o que contribui com a organização militar do grupo.

6. A violência
Em agosto de 2014, o Estado Islâmico divulgou um vídeo que mostra a decapitação do jornalista britânico James Foley, desaparecido na Síria desde 2012. Menos de um mês depois, outro vídeo foi divulgado e a morte de mais um jornalista, Steven Sotloff, foi confirmada. O terceiro vídeo que foi parar na internet mostrava o assassinato do humanista britânico David Haines.
Os casos chocaram o mundo. Em grande parte porque tratava-se da execução de pessoas ocidentais, não-muçulmanas. Mas a verdade é que a violência do Estado Islâmico não é um caso isolado. Apesar de ser sunita, o grupo é mais radical em suas posições do que a maioria da população islâmica e tem causado controvérsias por isso. Em julho, por exemplo, o grupo destruiu a Tumba de Jonas, local sagrado tanto para o Islã, quanto para católicos e judeus. Na invasão do campo de gás de Shaer, 270 pessoas foram mortas. Em maio de 2014, 140 jovens curdos foram raptados para terem lições sobre o radicalismo islâmico. Isso sem falar nos vários ataques a civis feitos ao longo dos anos, sem confirmação do número de mortos.
Aliás, declarar a fundação de um califado é, acima de tudo, uma forma de mostrar a superioridade do Estado Islâmico frente aos outros grupos islâmicos existentes. Na Síria, um dos principais conflitos atuais é contra o governo de Assad. No Iraque, eles lutam no oeste do país, na província de Anbar. No caminho desses dois países, não faltam relatos de execuções em massa. Contribui para isso o poder de fogo que o EI possui e a organização militar, muito maior do que o de seus adversários locais.

7. Reação internacional
Em agosto de 2014, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou uma intervenção na região pela primeira vez desde 2011, quando as tropas saíram do Iraque. Em setembro, o discurso endureceu e Obama disse que os Estados Unidos liderariam uma coalizão contra EI. “O ‘Estado Islâmico’ não é islâmico, pois mata e aterroriza, e também não é um Estado”, disse.
As críticas feitas pela população norte-americana a respeito da guerra ao terror durante o governo Bush ajudam a explicar a demora em Obama se manifestar. Mas, diante dos vídeos divulgados pelo EI e da pressão popular, o governo não pode deixar de se manifestar. Mas com cuidado. O presidente garantiu que não enviaria tropas para a Síria, apenas esforços aéreos para ajudar os combatentes locais.
A posição dos Estados Unidos reflete um pouco a situação do mundo com relação ao Estado Islâmico. Alguns países da região tentaram interferir na situação através do apoio a tropas locais, mas não adiantou muito. Apesar de a ONU já considerar o EI como uma organização terrorista desde 2004, outros países-chave para o conflito demoraram a se manifestar ou ainda não o fizeram. A Turquia só quebrou o silêncio em outubro de 2013. A Arábia Saudita, em março de 2014, e o Reino Unido, em junho do mesmo ano.


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

As faces do terrorismo


Condenar o terrorismo e o imperialismo que fomenta sua ação

Editorial do site vermelho.org.br

O bárbaro ataque que ocorreu em Paris foi um condenável ato de guerra. Seu alvo visível foi a população civil da capital francesa, mas o objetivo real era atingir as potências ocidentais que agem, há décadas, no Oriente Médio e são responsáveis pela forte instabilidade que lá existe.
Ao contrário do que dizem muitos comentaristas na imprensa hegemônica, as razões de um ataque dessa natureza não são religiosas nem estão localizadas naquilo que alguns chamam de conflito de civilizações. Os motivos reais são geopolíticos, ou guerreiros.
O ataque, promovido pelo chamado Estado Islâmico, feriu centenas de pessoas e assassinou mais de 120 civis inocentes. A ação revelou uma insuspeita capacidade de organização que envolve planejamento, logística e acesso a recursos. Capacidades que resultam do treinamento, intenso apoio financeiro e material dado pelos países imperialistas a grupos de oposição ao presidente sírio Bashar al-Assad. Apoio que resultou, ao fim, na unificação de muitos desses grupos fundamentalistas no chamado Estado Islâmico.
Formações guerreiras como o Estado Islâmico resultaram do apoio dado a milícias radicais islamitas desde os tempos em que o imperialismo reagiu contra o regime democrático do Afeganistão no final da década de 1970, que tinha o apoio da União Soviética. Contra eles, os países imperialistas – sobretudo os EUA – apoiaram, treinaram, armaram e financiaram aqueles que se chamavam então de mujahidin (“guerreiros de deus”), hoje comumente chamados de jihadistas.
Foram instrumento da ação do imperialismo (EUA, Grã-Bretanha e França, principalmente) contra os democratas, nacionalistas e os socialistas na região. Aquelas milícias se desdobraram, nas décadas seguintes, em inúmeras outras facções, com destaque para a chamada Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
O ato de guerra cometido contra o povo francês, só pode ser compreendido dentro desta lógica guerreira, sendo uma reação visível contra ela, com disfarce religioso. É uma lógica que se acentuou desde a chamada “primavera árabe” (2011) que teve como resultado trágico a destruição da Líbia como nação organizada pela ação das tropas capitaneadas pela Otan. E também o início da guerra civil na Síria, cuja capacidade de resistência foi maior, apesar do enorme custo material e humano imposto pela intervenção imperialista.
O ataque bárbaro ocorrido em Paris é mais um episódio sangrento desta guerra. Semelhante a inúmeros outros – quase diários – que ocorrem em cidades do Oriente Médio onde têm acontecido ataques “por engano” a hospitais, escolas, cidades, alvos civis que, pela legislação internacional, deveriam estar a salvo de ataques militares.
O ato terrorista desta sexta-feira revela a falência, e o fracasso, da política antiterrorista dos países imperialistas contra o terrorismo que suas próprias ações guerreiras fomentam.
O caminho para a construção da paz é pavimentado por ações pacíficas, de respeito à autonomia dos povos e à soberania de suas nações.
O sangue que correu foi o de pessoas comuns, inocentes, causando consternação, solidariedade e revolta pelo mundo a fora. O alvo da indignação deve ser os responsáveis pela ação terrorista e também os países imperialistas que criaram as condições objetivas para a existência dessas forças que agem contra a humanidade.


Original publicado pelo portal vermelho.org.br em 14 de Novembro de 2015

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Rohingyas: Direitos humanos desrespeitados

Rohingyas: um povo sem direitos

Fonte: BBC Brasil

Apesar de terem vivido em Mianmar por gerações, o governo do país alega que eles (Rohingyas) são novos imigrantes, negando-lhes, portanto, cidadania. Cerca de 1 milhão de pessoas formam a minoria étnica, linguística e religiosa do povo rohingya, muçulmanos discriminados e perseguidos por décadas. 
Acredita-se que a repressão brutal contra eles provocou uma diáspora de pelo menos outros 1 milhão, em várias partes do mundo. Em maio de 2015, 500 rohingyas, a maioria mulheres e crianças, foram resgatados do mar no norte da Indonésia. Eles haviam optado por um caminho alternativo, em vez do mais comum: lançar-se selva adentro e atravessar a fronteira entre Mianmar e Tailândia. 
No país que os rohingyas chamam de lar, Mianmar (antiga Birmânia), eles são proibidos de se casar ou viajar sem a permissão das autoridades e não têm o direito de possuir terra ou propriedade. No exemplo mais recente de discriminação, autoridades regionais anunciaram recentemente que vão começar a implementar uma regra que proíbe os rohingya de ter mais de dois filhos. 
Os rohingya são cerca de 5% dos 60 milhões de habitantes de Mianmar. Nos últimos anos, após ter sido governado por uma junta militar por mais de meio século, a Birmânia está passando por uma transição para a democracia e melhorias sociais que muitos têm elogiado. Mas a situação não parece ter melhorado para os rohingyas. 
Em 2012, duas ondas de violência, uma em junho e a outra em outubro, orquestradas por grupos extremistas de maioria budista em Rakhine, deixaram cerca de 140 mortos, centenas de casas e edificações muçulmanas destruídas e 100 mil desabrigados. Autoridades e a polícia foram acusadas de não agir de modo a defendê-los.


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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Demografia - Brasil atinge 204 milhões de habitantes

Demografia - Brasil atinge 204 milhões de habitantes

O Brasil tem uma população de 204.450.649 habitantes, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), publicados nesta sexta-feira (28) no Diário Oficial da União.
Os dados são estimativas de população feitas com base no dia 1º de julho de 2015. Do ano passado para cá, a população cresceu cerca de 0,87% - em 2014, segundo o IBGE, o Brasil havia chegado a 202.768.562 de habitantes.
O Estado mais populoso, São Paulo, tem 44,4 milhões de habitantes - 21,7% da população total do país. Já no Estado menos populoso, Roraima, vivem 505,6 mil pessoas - 0,2% da população total. Além de São Paulo, cinco Estados têm mais de 10 milhões de habitantes: Minas Gerais (20,86 milhões), Rio de Janeiro (16,55 milhões), Bahia (15,2 milhões), Rio Grande do Sul (11,24 milhões) e Paraná (11,16 milhões).
A lista das unidades da federação com mais de cinco milhões de pessoas traz outros seis Estados: Pernambuco (9,34 milhões), Ceará (8,9 milhões), Pará (8,17 milhões), Maranhão (6,9 milhões), Santa Catarina (6,81 milhões) e Goiás (6,61 milhões).
As demais unidades federativas têm as seguintes populações: Paraíba (3,97 milhões), Espírito Santo (3,92 milhões), Amazonas (3,93 milhões), Rio Grande do Norte (3,44 milhões), Alagoas (3,34 milhões), Mato Grosso (3,26 milhões), Piauí (3,2 milhões), Distrito Federal (2,91 milhões), Mato Grosso do Sul (2,65 milhões), Sergipe (2,24 milhões), Rondônia (1,76 milhão) e Tocantins (1,51 milhão). Além de Roraima, outros dois Estados têm menos de um milhão de habitantes: Amapá (766,6 mil) e Acre (803,5 mil).
Com 12 milhões de pessoas a cidade de São Paulo se mantém como a mais populosa do país e tem mais habitantes que 22 Estados e o Distrito Federal, a exceção São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Já a menor cidade do país é a mineira Serra da Saudade, com 818 habitantes.

Fonte: IBGE